sexta-feira, 14 de junho de 2013

Você sabia...?

Já faz duas semanas desde que eu conheci Mary Ann.
Eu fico o dia inteiro no hospital por causa de minha mãe e a maior parte do tempo eu e Mary vamos ao jardim do hospital para conversar.
-Hey, você sabia que xingar alivia a dor? - Ela ficava balançando sua perna compulsivamente enquanto olhava para o céu.
- Não, mas suspeitava... - Olho para seu rosto e percebo como a presença dela faz com que meu coração acelerasse.
-Vamos testar?- Com um rápido movimento ela infringe contra o meu braço um soco.
-Ai! Porque você fez isso?!- Digo passando a minha mão no local do soco. Ela apenas sorriu e se jogo para trás caindo na grama.
-AI! - Ela apertou os olhos com  choque e começou a rir - não foi uma boa ideia...-
Eu ainda estava sentado observando seu cabelo se misturar com a grama. Então, por ser um idiota, fiz o mesmo, me joguei para trás. A dor do impacto dominou minha cabeça.
-Ahhh... Isso realmente dói... - Digo ainda de olhos fechados.
-Porque você fez isso seu idiota?!- Ao abri-los vejo que seu rosto esta perto do meu. Imediatamente coro e percebo que ela também. -Desculpe!- Com um movimento involuntário seguro seu ombro, ela me encara com seus olhos coloridos, surpresa. -Riley... - Coloco minha mão livre em sua bochecha e começo a me aproximar de seu rosto. Ela não impede minha aproximação e logo sinto seus lábios contra os meus.
Um beijo doce com gosto de bala de goma. Nos separamos para tomar ar, ficamos nos encarando por um instante até que ela fala:
-Desculpe, eu... - Seu rosto estava completamente vermelho - Riley... Eu sinto muito... - Ela estava quase chorando. Me levantei e a abracei.
-Qual o  problema? Me conte...- Minha camisa começava a ficar molhada. Entre um soluço e outro ela tentava falar, limpo suas lagrima e nos sentamos de novo no banco. Tudo estava em completo silencio. - Se acalme, certo? Pelo que você está se desculpando?- Ela limpa os olhos e pronuncia uma frase inaudível. - Desculpe, eu não escutei.- Ela me olha nos olhos e fala claramente:
-Eu só tenho mais 2 meses de vida...
Nunca pensei que palavras pudessem causar um impacto tão profundo nas pessoas. Aquelas palavras fizeram meu cérebro entra em conflito com o meu corpo, meus membros não obedeciam . Eu só conseguia enxergar ela na minha frente, o resto estava preto.
- O que... O que você disse? - Ela estava chorando enquanto tentava tapar o rosto com suas pequenas mãos. Eu escutei perfeitamente o que ela havia dito, mas não queria acreditar. Não pode ser verdade... -Mary... - A abraço novamente, ela agarra minha camisa com força.
Com a voz abafada ela repetia:
-Desculpe! Eu sinto muito! Isso não é justo! - Eu não podia me mostrar fraco em um momento em que ela precisava de um apoio. Controlei a dor em meu peito e acariciei seu cabelo repetidamente. 

Ela se acalmou depois de um tempo, me encarou com os olhos vermelhos e o rosto inchado. Havia milhões de perguntas em minha mente, eu queria a respostas para todas elas, mesmo sabendo que ela pudessem me machucar profundamente. 
-Você deve estar querendo me fazer várias perguntas, né?- Disse ela com um sorriso forçado. -Pergunte, eu irei responde-las...-
Será o momento certo?
-A quanto tempo você está aqui, no hospital?
- No inicio eram apenas idas frequentes ao medico, mas depois de um tempo me internaram, então seria 2 anos.- Dois anos? Eu não consigo imaginar como é passar dois anos em um quarto de hospital.
- O que... Bem... Porque você está aqui?
-Eu tenho uma doença que ainda não tem cura. Ela é bastante rara, por isso eu me voluntariei para uma cirurgia, que ser for realizada com sucesso, eu poderei viver mais tempo... - Um sorriso triste se formou em seus labios tomando o lugar daquele lindo sorriso brilhoso que eu havia visto.
-Eu sempre digo isso para mim mesma, "Não importa o que aconteça, nunca se esqueça de sorrir!" A partir de agora, você promete sorrir mesmo nos momentos mais dificeis?- Ela levantou a mão e fechou os dedos deixando apenas um dedo levantado.- Promete?
-Prometo...

A Garota de cabelos verdes

"Não importa onde você esteja, eu vou sempre permanecer ao seu lado! Por isso não se esqueça de sorrir!"


Meu irmão me esperava na entrada da escola. Isso é estranho, ele nunca fez isso, algo deve ter acontecido.
-Irmão?- Perguntei com um olhar curioso
-Entre -Disse ele abrindo a porta do carona -No caminho eu lhe conto tudo.
Me despedi de meu amigo e entrei no carro preto.
- Aconteceu algo? É a mãe? -Pergunto preocupado
- Sim... - Ele ainda não havia olhado em meu rosto, seus óculos escuros me impedia de ver seus olhos.
- Ela está bem? Aconteceu algo?- Eu ja estava ficando nervoso e preocupado.
- A poucas horas eu recebi uma ligação do hospital, parece que ela sofreu uma queda da escada. Foi apenas essas informações que eu recebi.- Ele parecia perturbado - Me escute Riley, tente não deixar ela preocupada.-
-Certo... - Minhas mão estavam tremendo.
Minutos depois entramos no hospital e nos dirigimos ao quarto onde estava minha mãe.
Eu só queria ver se ela estava bem.
O quarto 413 era diferente dos outros, nele havia duas camas, dois roupeiros, uma televisão e um banheiro, assim como os outros, mas havia algo diferente nele, algo que fazia qualquer um se sentir bem só de passar por ele.
Minha mãe estava sentada na primeira cama, ela estava fazendo suas cruzadinhas como de costume.
-Mãe! - Apressei meu passo até conseguir alcança-la e lhe dar um abraço;
-Oh meu filho!- Sent seus dedos afagarem meu cabelo - Tudo bem,Tudo bem...- Sua voz calma me fez sentir a segurança que ela sempre me passava através dos seus abraços.
-Você está bem? O que aconteceu? - Digo me afastando tentando procurar algum machucado em seu corpo.
-Eu estou bem, na verdade foi apenas um susto.- Disse ela  com um sorriso calmo em seu rosto -Minha pressão apenas baixou e eu sofri um queda pequena. Eu apenas vou ficar uma semana em observação.- Ela soltou um suspiro.
-Riley, fique aqui eu vou falar com o médico.- Ele saiu do quarto e foi em direção ao balcão de informações.
-Ah! Eu quero te apresentar uma pessoa,meu filho! Eu acabei de conhece-la! Ela tem a sua idade. - Ela guardou a pequena revista em uma gaveta e abriu a cortina ao lado de sua cama.  -Espero que vocês se tornem amigos!-
Na cama ao lado havia uma garota de cabelos verdes lendo alguns mangás. Ela se surpreendeu, mas em poucos instantes ela abriu um sorriso brilhante.
-Oh! Olá, eu sou Mary Ann, prazer em conhece-lo!- Um de seus livros caiu, e enquanto tentava juntar, deixou mais dois cair. Ela era desajeitada, aquela era cena cômica. Eu estava prestes a rir, quando vejo minha mãe me encarando, imediatamente entendi que ela queria que eu fosse ajuda-la.
Vou até o lado da cama da garota e pego os livros.
-Aqui- Coloco ele em cima da comoda ao lado da cama- Hã... Eu sou Riley... - Digo um pouco sem graça.
-Obrigado Riley. Desculpe por isso... Eu sou um pouco estabanada haha... -Ela soltou um riso sem graça.
-Porque voces não dão um passeio? Mary, poderia mostrar o hospital para ele?- disse minha mãe do outro lado do quarto.
Nos olhamos, confusos, nós mal nos conhecíamos!
-Ah! Ótima ideia! Eu estava querendo dar um passeio mesmo...  Claro, só se você quiser... - Ela olhou para mim, e pela primeira vez percebi que seus olhos tinham cores diferentes, eles eram estranhamente lindos. Por alguns momentos fiquei hipnotizado por seus olhos, escutei um rosnado vindo da garganta de minha mãe, ela estava me encarando novamente.
-Ah... Claro. Será legal...- Eu estava preocupado com o estado de suade de minha mãe, não queria dar passeios pelo hospital, mas provavelmente ela quer que eu faça isso.
-Que bom!- Ela se levantou e pegou uma pantufa branca e peluda. Seu pijama era rosa fraco coberto com carinhas de coelhinhos. -Vamos?-